ESCRITORAS HOMENAGEADAS

A edição XVIII do Seminário Internacional Mulher & Literatura presta homenagem às escritoras de Cabo Verde: Orlanda Amarílis, Dina Salústio e Vera Duarte, e às escritoras de Sergipe: Alina Paim, Núbia Marques, Maria Lúcia Dal Farra e Gizelda Morais.


ORLANDA AMARÍLIS

Orlanda Amarílis Lopes Rodrigues Fernandes Ferreira nasceu em 8 de outubro de 1924, na cidade de Assomada, em Cabo Verde e faleceu em 01 de fevereiro de 2014, em Lisboa, capital portuguesa. Viveu a maior parte do tempo fora do país. Formou-se em Pedagogia pela Universidade de Lisboa. Notabilizou-se pelo enfoque social neorrealista presente nas narrativas curtas, em que as mulheres cabo-verdianas se fizeram as grandes protagonistas. Membro da Geração da Revista Certeza (1944), enfocou o cotidiano da realidade de Cabo Verde e a vida de mulheres exiladas, privilegiando os falares das ilhas. Obras de contos: Cais-do-Sodré té Salamansa (1974), Ilhéu dos Pássaros (1983) e A Casa dos Mastros (1989). Participou de dezenas de coletâneas internacionais e teve suas obras traduzidas para diversos idiomas.

DINA SALÚSTIO

Bernardina de Oliveira Salústio é natural da Ilha de Santo Antão. É Assistente Social. Também foi jornalista em seu país de origem com passagens por Portugal e Angola. Como escritora, publicou: Mornas eram as Noites, contos, 1994 (traduzido em espanhol); A Louca de Serrano, romance, 1998; Violência Contra as Mulheres, estudo 2001; Filhas do Vento, romance, 2009, e o mais recente Filhos de Deus, contos, 2018. A sua obra é objeto de estudo e teses de licenciatura, mestrado e doutoramento no Brasil, Portugal, Itália e Cabo Verde. Membro fundador da Academia Cabo-Verdiana de Letras. 1º Prémio em literatura juvenil (1994), Cabo Verde e 2º Prémio em literatura juvenil dos PALOP (2000). Galardoada pelo Governo de Cabo Verde com a Ordem do Mérito Cultural (2005) e com a 1ª Classe da Medalha do Vulcão por S. Exa o Presidente da República (2010). Recebeu o prémio Rosália de Castro para a Literatura em Língua Portuguesa, na Espanha, em 2016.

VERA DUARTE PINA

Natural da Ilha de São Vicente, Vera Valentina Benrós de Melo Duarte Lobo de Pina é Juíza Desembargadora, presidente da Academia Cabo-Verdiana de Letras, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa em 1978. Desempenhou, entre outros, os cargos de Ministra de Educação e Ensino Superior, Presidente da Comissão Nacional para os Direitos Humanos e Cidadania, Conselheira do Presidente da República e Juíza conselheira do Supremo Tribunal de Justiça. Ao longo da sua carreira, integrou organizações nacionais e internacionais ligadas ao direito, à mulher, a cultura e aos direitos humanos, nomeadamente Associação Cabo-Verdiana de Mulheres Juristas, Comissão Africana dos Direitos do Homem e dos Povos, Comissão Internacional de Juristas e Centro Norte-sul do Conselho da Europa. Foi galardoada com a medalha de mérito cultural no 30º Aniversário da independência (2005), o prémio Norte-sul dos Direitos Humanos (1995) e condecorada pelo Presidente da República com a Medalha da Ordem do Vulcão no 35º aniversário da Independência. Estreou-se na publicação com a obra poética Amanhã Amadrugada (1993), a que se seguiram O Arquipélago da Paixão (poesia, 2001, “prix Tchicaya U Tam´si de poésie africaine”.), A Candidata (ficção, 2004, prémio Sonangol de Literatura), Preces e Súplicas ou os Cânticos da Desesperança (poesia, 2005), Construindo a Utopia (2007), A Palavra e os Dias (crónicas, 2013); A matriarca – uma estória de mestiçagem (romance, 2017) e o recente livro de poemas Risos e Lágrimas (2018). Tem no prelo o guia Cabo Verde Um Roteiro Sentimental.

   
ALINA PAIM

Alina Paim nasceu em Estância, em outubro de 1919 e faleceu em março de 2011. Aos 12 anos, já manifestou talento para a literatura, escrevendo para um jornal do educandário onde estudava. Formou-se professora, e mudou-se para o Rio de Janeiro em 1943, onde atuou ensinando a filhos de pescadores na Ilha de Marambaia. Foi uma intelectual que se descrevia como feminista e comunista atuante. Produziu 10 romances em cinco décadas de trabalho. Seu quinto romance, Sol de meio-dia (1962) foi premiado pela Associação Brasileira do Livro, foi prefaciado por Jorge Amado e traduzido para quatro idiomas. Das trabalhadoras das fazendas de cana de açúcar à luta das trabalhadoras urbanas, sua obra está repleta de mulheres que buscam por igualdade de classe e de gênero. Sua militância certamente influenciou para que sua produção não obtivesse o reconhecimento merecido nos tempos da ditadura no Brasil. Destacamos, dessa primeira vertente, a obra A sombra do patriarca (1950) e, da segunda abordagem, A correnteza (1979).

NÚBIA MARQUES

Núbia do Nascimento Marques nasceu em Aracaju em dezembro de 1927 e faleceu em agosto 1999 na mesma cidade. Formou-se em Contabilidade, Assistência Social e Letras. Fez Mestrado em Planejamento Social na PUC, São Paulo (1976). Em 1970, ingressou no magistério público. Entre os diversos cargos, destaca-se o de professora da Rede Estadual de Sergipe e da Universidade Federal de Sergipe. Foi diretora do Departamento de Cultura e Patrimônio Histórico (1971-1974) e presidente do Conselho Estadual de Cultura (1971-1972) e da Fundação de Cultura do Estado de Sergipe (1986-1987). Ficou conhecida por seu envolvimento com os Direitos Humanos. Liderou o Núcleo Sergipano do Movimento Feminista pela Anistia, de 1979 a 1982. Inaugurou suas obras lírica com Um ponto e duas divergentes (1959) e teve como última desse gênero o livro Poemas transatlânticos (1997). Destacamos seu romance O Sonho e a Sina (1992), que traz o imaginário da mulher da primeira metade do Século XX. Foi a primeira mulher a ingressar na Academia Sergipana de Letras.

   
MARIA LÚCIA DAL FARRA

Paulista de Botucatu, Doutora em Letras pela USP em 1979, Maria Lúcia Dal Farra faz parte do imaginário cultural sergipano há diversas décadas. Professora aposentada da Universidade Federal de Sergipe, autora de diversos estudos literários, em 2012 foi premiada com o Jabuti de melhor livro de poesia com Alumbramentos (2011). Sua poesia mais recente toca nos temas e memórias de sua família e amigos do Estado de Sergipe. Crítica literária reconhecida internacionalmente por seus estudos sobre Florbela Espanca, ela é dona de uma lírica pós-moderna que explora o imaginário da arte e da literatura. Quem se depara com seus textos, encontra joias lapidadas pelo primor estético e sabedoria da simplicidade do fazer poético. A última publicação literária foi Terceto para o fim dos tempos (2017). Tem também publicados inúmeros estudos de Literatura Portuguesa, Brasileira e Comparada (sobre poesia e narrativa), bem como um elenco de obras sobre Florbela Espanca. Sobre sua obra poética há trabalhos de Conclusão de Curso, de Mestrado e de Doutorado, tais como os de Kalina Naro Guimarães (UFRN) e de Ivo Falcão da Silva (UFBA). É professora colaboradora do PPGL/UFS.

   
GIZELDA MORAIS

Gizelda Santana Morais nasceu em Campo do Brito, Sergipe, em 30 de maio de 1939 e faleceu em Aracaju, em 14 de agosto de 2015, aos 76 anos. Sua infância passou em Tobias Barreto, onde fez os estudos primários. Seus estudos ginasiais e secundários no Colégio Nossa Senhora de Lourdes e Ateneu Sergipense. Nos anos 50 e 60 participou de programas culturais de emissoras de rádio. Seu primeiro livro de poesias, Rosa do Tempo), foi publicado em 1958, em Aracaju, pelo Movimento Cultural de Sergipe. Foi graduada em Filosofia e em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia e obteve o título de Doutora em Psicologia pela Universidade de Lyon (França) com a com a tese “L'Ecriture et la Lecture” defendida em 13 de janeiro de 1970. Na Universidade Federal de Sergipe, foi professora do Departamento de Psicologia e Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação. Dedicou-se na prosa com as obras: Jane Brasil (1986), Ibiradiô - as várias faces da moeda (1990), traduzida para o francês sob o selo de Éditions du Petit Véhicule (1999); Preparem os agogôs (1ª edição 1996), editada em francês com o nome de “Réveillez les Tambours” (2009); Absolvo e Condeno (2000); Feliz Aventureiro; A procura de Jane (2008); e Veleiro da esperança (2012). Em poesia, produziu: Rosa do Tempo (1958); Baladas do inútil silêncio (com Núbia Marques e Carmelita Fontes - 1965, reeditada em forma digital em 2007; Verdeoutono (com Núbia Marques e Carmelita Fontes - 1982); Acaso (1975); Aperitivo Poético, Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Aracaju, SE. Edições de 1986/ 87/ 88/ 89; Cantos ao Parapitinga ou Louvações ao São Francisco (1992); Rosa no Tempo, de 2003, foi a reunião de suas poesias. Seu último livro foi o romance A um passo do esquecimento (2014), obra que impressiona ao apresentar uma narrativa de tom memorialístico em que a protagonista empreende sua missão metalinguística de registrar pela palavra sua experiência com o câncer (Texto de Wagner Lemos).