O GT da Anpoll: A mulher na literatura, fundado em 1985,  em parceria com a Universidade Federal de Sergipe, apresenta o XVIII Seminário Internacional Mulher & Literatura,  que  acontecerá no período de 14 a 17 de agosto  de 2019, na cidade de São Cristóvão, com a temática: Escritas de resistência, voltado para os estudos dos textos literários de autoria feminina e para a crítica literária feminista e suas intersecções na contemporaneidade. Esta edição propõe a diminuição do duplo nome que o evento vem recebendo desde 2003, respeitando o total de seminários nacionais já organizados: dezessete e o termo internacional que dá mais abrangência aos estudos feitos pelas pesquisadoras do GT e de universidades estrangeiras. Essa estratégia segue as diretrizes da Capes para a internacionalização dos programas de pós-graduação no Brasil. 

A escolha da temática Escritas de resistência justifica-se por uma necessidade de reflexão crítica sobre os avanços dos estudos que privilegiam o lugar de fala da  mulher no campo literário.  A resistência feminina na contemporaneidade projeta-se por duas perspectivas políticas: a estratégia de garantia das conquistas femininas das últimas décadas;   a ampliação dos direitos por salários iguais;  e a luta contra as diferentes formas de violência impostas historicamente à mulher. Por uma perspectiva  interdisciplinar, a crítica feminista tem buscado novas abordagens teóricas e metodológicas para fortalecer seu papel de resistência e dar visibilidade ao resgate de importantes escritoras esquecidas e à vasta produção literária feminina da contemporaneidade em diferentes gêneros literários: romance, conto, poema, teatro, memórias, roteiros audiovisuais, entre outros.

Na sessão de homenagens, vamos promover reflexões sobre as obras das escritoras de Cabo Verde e de Sergipe. Do país africano, herdeiro da língua e cultura portuguesa, selecionamos as obras de: Orlanda Amarílis, Dina Salústio e Vera Duarte. Com o intuito de dá visibilidade à produção das escritoras de Sergipe, vamos privilegiar as literaturas de  Alina Paim, Núbia Marques, Gizelda Morais e Maria Lúcia Dal Farra. Temos em questão seis escritoras muito queridas pela força de suas singularidades literárias e pela forma como exploram temas voltados para questionar os valores sociais e artísticos das sociedades de Cabo Verde e do Brasil. Os diferentes contextos históricos de suas produções pedem análises diversificadas da forma como cada uma explora as sutilezas da literatura para registrar a resistência da mulher diante das agruras da vida.

Histórico dos eventos anteriores

Em 1985, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ocorreu o primeiro evento, denominado Seminário Regional sobre a Mulher na Literatura, cujo propósito foi o de organizar um levantamento dos estudos existentes na área, procurando articular pesquisadores provenientes dessa região.

Em 1987, em João Pessoa, Paraíba, ocorreu o segundo evento denominado I Encontro Nacional Presença da Mulher na Literatura  com  convidados(as) do exterior.  A discussão centrou-se em torno de temáticas que privilegiavam questões de linguagem e sexismo e a presença da mulher nas literaturas.

Em 1988,O II Encontro Nacional Presença da Mulher na Literatura, ocorreu em Porto Alegre (RS), com a participação de renomadas teóricas e críticas. Texto reunidos na Revista Organon, número 16, do Instituto de Letras da UFRGS.  

Em1989, com expressiva presença de pesquisadores originários dos diversos estados brasileiros, ocorreu  o III Seminário Nacional Mulher e Literatura na UFSC. Nesse seminário, destacaram-se os debates acerca dos aportes teóricos e metodológicos da crítica feminista.

 Em 1991, a Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, sediou o IV Seminário Nacional Mulher e Literatura com participação de pesquisadoras da área dos estudos feministas.

Em 1993, o V Seminário Nacional Mulher e Literatura, realizado em Natal, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), foi coordenado por uma comissão interestadual, ampliando o debate em torno da crítica literária feminista.

Em 1995, o Núcleo Interdisciplinar dos Estudos da Mulher na Literatura (NIELM) foi a sede do VI Seminário Nacional Mulher e Literatura, na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com participação de pesquisadoras feministas dos estudos literários e áreas afins.

Em 1997, o VIII Seminário Nacional Mulher e Literatura ocorreu na Universidade Federal Fluminense, Niterói com participação de pesquisadoras de diversos programas de pós-graduação voltados para os estudos literários e áreas afins.

Em 1999, o VIII Seminário Nacional Mulher e Literatura foi sediado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), promovido pelo Instituto de Letras, NEIM (Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher) e pela REDOR (Rede Feminista Norte-Nordeste de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher e as Relações de Gênero).

Em 2001, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) acolheu o IX Seminário Nacional Mulher e Literatura com participação de pesquisadoras nacionais e internacionais. Houve diversos miniursos com a temática feminista como destaque para os ministrados por Elódia Xavier e Susana Funck.

Em 2003, o evento passa a ter dois títulos: X Seminário Nacional Mulher e Literatura e I Seminário Internacional Mulher e Literatura, que ocorreu na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Os Anais foram denominados Mulheres no mundo: etnia, marginalidade, diáspora.  

Em 2005, A Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) sediou o XI Seminário Nacional Mulher e Literatura e o II Seminário Internacional Mulher e Literatura, denominado Entre o estético e o político: a questão da mulher na literatura.

Em 2007, o XII Seminário Nacional Mulher e Literatura e III Seminário Internacional Mulher e Literatura ocorreram em Ilhéus, na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), com o título de Gênero e idade e hibridismo cultural.

Em 2009, a Universidade Potiguar, em Natal/RN, acolheu o XIII Seminário Nacional Mulher e Literatura e o IV Seminário Internacional Mulher e Literatura, denominado Mulher e Literatura: memórias, representações, trajetórias, com a parceria de UFRN, UERN, IFRN e IFESP.

Em 2011, ocorreu o XIV Seminário Nacional Mulher e Literatura e o V Seminário Internacional Mulher e literatura, sediado na Universidade de Brasília (UnB), com o tema Palavra e poder: RepresentAÇÕES literárias.

Em 2013, a Universidade Federal do Ceará foi o local escolhido para a realização do XV Seminário Nacional Mulher e Literatura e o VI Seminário Internacional Mulher e Literatura denominado As Relações entre Gênero e Violência: pela Busca do Empoderamento, sendo homenageadas as Escritoras Nordestinas.

Em 2015, a Universidade de Caxias do Sul (UCS-RS) foi responsável pelo XVI Seminário Nacional Mulher e Literatura e o VII Seminário Internacional Mulher - Mulheres de Letras - do oitocentismo à contemporaneidade - transformações e perspectivas, homenageou as escritoras do Partenon Literário, uma agremiação que, em meados do século XIX, teve papel relevante não só na consolidação da literatura quanto da cultura sul-rio-grandenses, como garantir uma verdadeira efervescência intelectual.

Em 2017, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) organizou o XVII Seminário Nacional Mulher e Literatura e VIII Seminário Internacional Mulher e Literatura é de 17 a 20 de setembro de 2017, com o tema Mulher e Literatura: transgressões, descentramentos, subversão.

Em 2019, a Universidade Federal de Sergipe e o GT A Mulher na Literatura, ampliando os detates acerca da literatura contemporânea e do resgate, convidam a comunidade acadêmica para a participação neste evento que é composto por conferências, mesas plenárias, mesas redondas, minicursos, mesa de  depoimentos das escritoras homenageadas e sessões de comunicações.

Esta edição pretende articular as contribuições das pesquisas feitas sobre autoria feminina com o Ensino de Literatura para a Educação Básica em uma parceria com o Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS). Torna-se fundamental debatermos sobre as possibilidades de divulgação dos resultados dos trabalhos de resgate e revisão do cânone a partir das contribuições da crítica feminista. Esse desafio passa por reflexões acerca do uso de novas formas de divulgação de nossas pesquisas por meio de trabalhos alternativos como a produção de vídeos didáticos em Libras, promovendo a divulgação da produção das escritoras africanas e sergipanas, pouco divulgadas em material didático e a acessibilidade e a inclusão da identidade surda à história e obra dessas escritoras.

O evento também dará visibilidade a diversas pesquisas de caráter crítico-feminista que vêm sendo desenvolvidas nos 11 anos de existência do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFS, que, em 2017, inaugurou seu curso de Doutorado. A presença de dissertações voltadas para o recorte crítico-feminista destaca um dos vieses mais presentes entre os interesses de pesquisa em Estudos Literários e também em Estudos Linguísticos em Sergipe.

As sessões serão facultadas ao público das graduações e pós-graduações de Letras e das áreas das Ciências Humanas que tenham como corpus a produção de autoria feminina campo teórico ou abordagem metodológica a Crítica Feminista, com vistas a fortalecer as relações interdisciplinares entre literatura e estudos de gênero, literatura e educação e literatura e as diferentes manifestações artísticas e midiáticas.

Este evento tem o apoio da Universidade Federal de Sergipe, do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) e do Programa de Pós-Graduação Profissional em Letras em Rede (PROFLETRAS).